Primeiro, sua trilha sonora pra sua leitura ficar emocionante:
Eu tentei por um tempo entender as expectativas da sociedade em relação a nossa idade e como está nossa vida, mas desisti por simplesmente não fazer o menor sentido.
Eu entendo que cientificamente existe um ciclo para todos os seres. Mas sendo seres racionais com emoções existem tantas possibilidades de acontecimentos dentre as fases desses ciclos que simplesmente não da para se padronizar de forma tão quadrada.
Cada um de nós vive uma jornada diferente com tempos diferentes para situações diferentes. Dentro desse ciclo de vida, as únicas duas certeza que todos nós podemos ter é que nascemos e um dia vamos morrer, o que acontece nesse intervalo são variáveis.
Quando somos crianças…
Quanto mais os anos se passam, mais eu penso que na verdade somos muito mais inteligentes quando criança. O “mundo adulto” é tão caótico que muitas coisas simplesmente não fazem sentido na minha cabeça.
Quando somos crianças nós seguimos muito mais os nossos instintos. Somos mais livres pra explorar e aprender. Não existem tantas expectativas sérias sobre nós e as pessoas a nossa volta nos deixam desfrutar dessa liberdade. Mas quando chegamos na adolescência as coisas começam a mudar drásticamente, incluindo a forma como somos tratados pelos “adultos”. De repente temos que nos comportar melhor e suprir expectativas impostas sobre nós. Porém, se vai ter alguém para nos preparar para isso e fazer essa jornada ser mais leve vai depender muito dos adultos ao nosso redor, especialmente pais. O irônico é que todos esses “adultos” já passaram por essa fase o que automaticamente deveria fazer deles nossos guias, mas por algum motivo isso tende a falhar miseravelmente com muita frequência.
Aí vem o auge da adolescência…
Adolescência é a fase mais confusa pra qualquer ser humano. É nela que começamos a desenvolver nossas habilidades sociais, o senso de pertencimento, e diversas outras coisas que afetam como nossa personalidade será longo termo. Com tudo isso em jogo, também tem o desenvolvimento de muitos hormônios, mudanças físicas e acamos sentindo tudo de forma muito mais intensa.
Ser pais nessa fase se torna um desafio diferente que envolve mais cautela, diálogo e muita empatia. Porém, muitas vezes o contrário acaba acontecendo, como se adultos no geral esquecessem como foi passar por esse processo e ter essa idade. Comportamentos ainda nem ensinados são cobrados, regras sociais e responsalibilidades que nem sabíamos da existencia de repente são jogadas em nossas vidas e temos que apenas aceitar e seguir. E aí as pessoas se perguntam por que é que tem tanto adolescente depressivo por aí.
Terminamos a escola geralmente em torno dos 17 anos, aí a expectativa é que escolha uma faculdade para seguir uma carreira. Com 18 anos, mais responsabilidades, já que agora somos legalmente responsáveis por nossas próprias vidas.
E jovens adultos apesar de cientificamente ainda sermos adolescentes…
Próxima fase é a dos 20, que faz menos sentido ainda. A expectativa comum é que a gente conclua os estudos, comece nossa carreira enquanto nos mantemos saudáveis e talvez também já esteja em um relacionamento rômantico resolvido. Mas também é nessa fase que deveríamos explorar o mundo e ter novas experiências.
Aos 30 sua vida deveria estar estável em todos os sentidos. Ter um bom emprego, um casamento feliz e talvez com filhos ou se preparando para ter. E agora é considerado um adulto completo então não pode se permitir errar tanto como antes e se estiver fora dessas expectativas significa que você fracassou miseravelmente e esse é o fim da linha.
Depois dos 30 já é considerado que não temos mais idade para fazer quase nada do que fazímos pra nos divertir e muito menos aprender coisas novas.
Entretanto…
Dentro de todas essas expectativas é onde moram as frustraçōes, comparaçōes não saudáveis, e sensação de fracasso. A verdade é idependente da nossa idade ninguém tem completa certeza do que está fazendo. Enquanto vivos, estamos passivos à sofrer mudanças dentro de nós e a lidar com as mudanças ao nosso redor. A única diferença é que quanto mais velhos ficamos, mais coisas vivemos e mais aprendemos, porém como dito no início, cada um em um tempo diferente, ou seja, não é sobre a idade mas sim sobre a jornada e mentalidade de cada um. Por esses motivos que essas expectivas nunca fizeram sentido na minha cabeça, mas ainda assim muitas vezes me pego frustrada por conta delas.
Que possamos envelhecer com empatia o suficiente para se colocar no lugar de pessoas mais velhas e mais novas que nós, sem subestimar as dificuldades de ninguém por conta da idade. Talvez assim podemos ser seres humanos mais saudáveis e influcienciar outros de nós a crescerem mais saudáveis também.